Resposta direta: A queratose actínica resulta do dano solar acumulado e é considerada uma lesão pré-maligna. O tratamento e o acompanhamento são indicados porque uma parte das lesões pode evoluir para carcinoma espinocelular e não há como prever qual delas vai progredir.

O que é queratose actínica?
É uma lesão áspera, descamativa, às vezes mais fácil de sentir com o dedo do que de enxergar, que aparece em áreas cronicamente expostas ao sol: rosto, orelhas, couro cabeludo calvo, dorso das mãos e antebraços. Costuma surgir após anos de exposição solar e funciona como um marcador de dano actínico: quem tem uma queratose geralmente tem um campo de pele ao redor com dano semelhante.
Qual é o risco de virar câncer?
A revisão sistemática sobre a história natural dessas lesões mostra que o risco de progressão de uma lesão individual para carcinoma espinocelular é baixo em um dado ano, e que parte das lesões até regride espontaneamente. O problema é a imprevisibilidade: lesões que regridem podem voltar, e não há exame que diga com segurança qual queratose vai progredir. Por isso a diretriz da Academia Americana de Dermatologia trata a queratose actínica como condição que merece tratamento e vigilância, não apenas observação passiva.
Quais sinais merecem atenção redobrada?
Endurecimento, espessamento, dor à palpação, sangramento, ulceração ou crescimento rápido de uma lesão previamente estável são sinais que levantam a suspeita de progressão. Nesses casos, a avaliação define se há indicação de biópsia.
Como é o diagnóstico?
Na maior parte dos casos o diagnóstico é clínico, complementado pela dermatoscopia. A biópsia é reservada às lesões com sinais de alerta ou com resposta inadequada ao tratamento, para diferenciar queratose actínica de um carcinoma já estabelecido.
Como é o tratamento?
As diretrizes descrevem duas estratégias, que podem ser combinadas: tratar lesões individuais (a crioterapia é o exemplo mais comum) e tratar o campo de dano solar, com medicações tópicas aplicadas pelo próprio paciente ou terapias realizadas em consultório. A escolha depende do número de lesões, da extensão do campo, da tolerância a cada método e do histórico de cada pessoa; é uma decisão individualizada, tomada em consulta.
Dá para prevenir novas lesões?
Sim. A fotoproteção regular reduz o surgimento de novas queratoses e de carcinoma espinocelular, como demonstrou o ensaio clínico randomizado de Nambour, na Austrália. Quem já teve queratoses actínicas se beneficia de exame periódico da pele, porque o mesmo dano solar que causou as lesões aumenta o risco de outros tumores cutâneos.
Referências
- Eisen DB, Asgari MM, Bennett DD, et al. Guidelines of care for the management of actinic keratosis. Journal of the American Academy of Dermatology, 2021.
- Werner RN, Sammain A, Erdmann R, et al. The natural history of actinic keratosis: a systematic review. British Journal of Dermatology, 2013.
- Green A, Williams G, Neale R, et al. Daily sunscreen application and betacarotene supplementation in prevention of basal-cell and squamous-cell carcinomas of the skin: a randomised controlled trial. Lancet, 1999.