Resposta direta: A cirurgia remove o tumor com uma margem de pele ao redor, definida pelo tipo e pelo risco da lesão. O procedimento costuma ser feito com anestesia local, e o fechamento pode ser direto ou exigir reconstrução, conforme o local e o tamanho.

Por que a margem importa?
A margem é a faixa de pele aparentemente saudável removida junto com o tumor. Ela reduz a chance de restarem células tumorais no local. A largura recomendada varia conforme o diagnóstico, e por isso o laudo da biópsia costuma preceder o planejamento.
Como referência, as diretrizes da Academia Americana de Dermatologia indicam margens clínicas em torno de 4 mm para carcinomas basocelulares e espinocelulares de baixo risco. No melanoma, a margem é definida pela espessura do tumor (índice de Breslow) e varia de 0,5 a 2 cm. São parâmetros de planejamento, ajustados caso a caso conforme localização, função e achados do exame.
Etapas do procedimento
- Confirmação diagnósticaExame clínico, dermatoscopia e, na maioria dos casos, biópsia prévia com laudo histopatológico.
- PlanejamentoDefinição da margem, da técnica de fechamento e da anestesia, considerando localização, função e estética.
- RemoçãoExcisão do tumor com a margem programada, em ambiente adequado e com hora marcada.
- FechamentoSutura direta quando possível; retalhos ou enxertos quando a área exige reconstrução.
- Análise e revisãoO material removido é examinado ao microscópio para confirmar margens livres; o retorno define os próximos passos.
Quando técnicas com controle de margens são consideradas
Em tumores de alto risco, recidivados ou em áreas nobres do rosto, podem ser discutidas técnicas em que as margens são avaliadas de forma mais detalhada antes do fechamento definitivo, como a cirurgia micrográfica de Mohs. Os critérios de uso apropriado publicados pelas sociedades americanas de dermatologia e cirurgia de Mohs orientam essa indicação, que é individual e depende do tipo de tumor, da localização e do histórico do paciente.
Anestesia e recuperação
A maior parte das cirurgias de pele é feita com anestesia local, sem internação. O desconforto pós-operatório costuma ser leve e controlável. Curativo, restrição temporária de esforço físico e retirada de pontos seguem orientações escritas entregues no dia do procedimento.
E a cicatriz?
Toda cirurgia deixa cicatriz. O planejamento busca posicionar a incisão nas linhas naturais da pele e escolher o fechamento que preserve função e aparência, mas o resultado final também depende do local operado e da cicatrização individual. Esse ponto é discutido abertamente antes do procedimento.
O acompanhamento continua depois
Quem já teve um câncer de pele tem maior chance de desenvolver novas lesões, e a dimensão desse risco é bem documentada: uma meta-análise publicada nos Archives of Dermatology estimou que, após um carcinoma basocelular, o risco acumulado de um novo basocelular em três anos é de cerca de 44%, pelo menos dez vezes maior que o da população geral. Por isso o seguimento inclui revisão da cicatriz, exame periódico de toda a pele e orientação de fotoproteção, com intervalo definido pelo risco individual.
Referências
- Kim JYS, et al. Guidelines of care for the management of basal cell carcinoma. Journal of the American Academy of Dermatology, 2018.
- Kim JYS, et al. Guidelines of care for the management of cutaneous squamous cell carcinoma. Journal of the American Academy of Dermatology, 2018.
- Swetter SM, Tsao H, Bichakjian CK, et al. Guidelines of care for the management of primary cutaneous melanoma. Journal of the American Academy of Dermatology, 2019.
- Connolly SM, Baker DR, Coldiron BM, et al. AAD/ACMS/ASDSA/ASMS 2012 appropriate use criteria for Mohs micrographic surgery. Journal of the American Academy of Dermatology, 2012.
- Marcil I, Stern RS. Risk of developing a subsequent nonmelanoma skin cancer in patients with a history of nonmelanoma skin cancer: a critical review of the literature and meta-analysis. Archives of Dermatology, 2000.